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Bolsistas do CNPq lançam o livro “Ecologia Marinha” para formar recursos humanos em Ciências do Mar

Um marco no início da “Década do Oceano”, é o primeiro livro-texto em língua portuguesa, produzido por autores brasileiros e com exemplos locais, do ambiente costeiro-marinho brasileiro.

Com o slogan “A ciência que precisamos para o Oceano que queremos” teve início, neste ano de 2021, a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (2021-2030), designação formal para a Década do Oceano. Proclamada para conscientizar a população global sobre a relevância dos oceanos, a data também propõe mobilizar atores públicos, privados e da sociedade civil organizada em ações que favoreçam a saúde e a sustentabilidade dos mares.

No Brasil, o livro Ecologia Marinha, publicado pela Editora Interciência, é lançado como um marco no início dessas comemorações. Organizada pelos bolsistas de Produtividade em Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) Renato Crespo Pereira Abílio Soares Gomes, ambos professores titulares do departamento de Biologia Marinha da UFF (Universidade Federal Fluminense), a publicação tem o objetivo de formar recursos humanos em Ciências do Mar. É o primeiro livro-texto em língua portuguesa, produzido por autores brasileiros e com exemplos locais, do ambiente costeiro-marinho brasileiro.

Embora a publicação do livro no primeiro ano da Década do Oceano tenha sido coincidência, o professor Renato Crespo afirma que a obra auxilia na compreensão de diversos aspectos que são alvos da iniciativa da ONU, como a poluição e a conservação marinha. “O capítulo de conservação é particularmente relevante, uma vez que discorre sobre políticas públicas, um dos alvos desta década dos oceanos”, diz ele.

A proposta dos organizadores é preencher uma lacuna até então existente na literatura científica nacional quanto à disponibilidade de material didático destinado à formação de pessoal em ciências do mar, em diversos níveis. Alguns capítulos de Ecologia Marinha tratam de temas de forma mais aprofundada, servindo também como fonte de conhecimento para pós-graduandos, mestres e doutores.

De acordo com o professor Renato Crespo, do modo como o livro foi pensado, há interação entre os temas de cada capítulo. “Além de ser material vasto sobre as diferentes formações, como praias, costões rochosos, manguezais, etc, existem inúmeros exemplos do litoral brasileiro e informações sobre a dinâmica desses ambientes”, explica o professor. As mais de 600 páginas da obra, dividida em 20 capítulos, reúnem textos de 50 profissionais convidados, com atuação de destaque nas respectivas áreas de atuação. A maioria é formada por pesquisadores brasileiros. Apenas um deles é uruguaio. Vários desses autores são bolsistas de Produtividade em Pesquisa do CNPq, alguns deles são coordenadores de Programa de Ecologia de Longa Duração (PELD) ou de Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT).

O livro tem prefácio assinado pelo professor Paulo Lana, bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq, aposentado como professor titular da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e membro do Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Para ele, Ecologia Marinha deve acompanhar a mesma trajetória bem-sucedida de Biologia Marinha, dos mesmos organizadores, também lançado pela Editora Interciência, e considerado por Lana um dos melhores, mais abrangentes e mais consistentes livros-textos dessa área do conhecimento. O livro começa com capítulos sobre a diversidade de organismos microscópicos marinhos; eucariontes do plâncton marinho; peixes e invertebrados; além de aves, répteis e mamíferos aquáticos que fazem parte do nécton, ou seja, animais aquáticos que se movem de forma ativa na coluna de água, vencendo a densidade da água, deslocando-se com o auxílio de órgãos de locomoção, como nadadeiras. A segunda parte da obra é dedicada aos aspectos físicos, hidrodinâmicos e sedimentares das praias, incluindo as brasileiras; manguezais; lagunas costeiras; plataformas continentais; costões rochosos; ambientes recifais; ilhas oceânicas e aspectos característicos de estuários.

Com 600 páginas divididas em 20 capítulos, com 50 autores, o livro “Ecologia Marinha” aborda os mais diversos assuntos relacionados aos ecossistemas marinhos. Foto: Fernando Moraes.

O livro também trata do tema do oceano profundo, que inclui enorme diversidade de ecossistemas habitando desde 200 metros abaixo da superfície a planícies abissais e fossas hadais, a zona mais profunda do oceano. Na obra, há um capítulo especial sobre os aspectos conceituais da biogeografia. A partir da distribuição biogeográfica de organismos marinhos, o texto explora as interpretações ecológicas e evolutivas acerca do conhecimento sobre distribuições geográficas de organismos marinhos. O livro também possui capítulo reservado ao tema da pesca e outro dedicado à bioincrustação marinha, apresentando aspectos conceituais e ecológicos e os modelos clássicos sobre o desenvolvimento de uma comunidade de organismos sobre substratos naturais ou artificiais, como estruturas submersas feitas pelo homem.

Além desses assuntos, o livro examina os produtos naturais ou metabólitos secundários, tema quase inexplorado em livros de biologia. Esses produtos são a base para inúmeras interações biológicas e, na obra, são apresentados por suas características estruturais e de origem de suas principais classes. A publicação, da mesma forma, discute a importância ecológica dessas substâncias em diferentes níveis de organização, do celular até o de comunidades marinhas. Os organizadores do livro reservaram um capítulo para tratar da poluição, provocada por bioestimulantes (resíduos orgânicos e nutrientes), óleos, elementos-traço, substâncias orgânicas, gases de efeito estufa, poluentes físicos (temperatura e som), poluentes orgânicos (florações de algas tóxicas, espécies invasoras, patógenos), substâncias organometálicas, plásticos e outros resíduos sólidos, além de substâncias radioativas. A obra discute os efeitos desses poluentes no ambiente e seu impacto em cadeias tróficas que alcançam o ser humano. O último capítulo, sobre conservação, constitui uma síntese dos assuntos tratados nos textos anteriores.

A publicação pretende contribuir para a formação de pessoal em ciências do mar, em diversos níveis, incluindo pós-graduandos. Foto: Luiz Rocha.

Renato Crespo Pereira, um dos organizadores, é Licenciado em Ciências Biológicas, com Mestrado em Botânica e Doutorado em Química dos Produtos Naturais. Ele foi Pró-Reitor de Graduação da UFF e, no momento, é diretor de Pesquisas Científicas do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. A área de atuação do professor Renato é a de ecologia química marinha. O outro organizador do livro, professor Abílio Soares Gomes, é licenciado em Ciências Biológicas, possui Mestrado em Zoologia e Doutorado em Oceanografia Biológica. Ele é docente de Graduação e de Pós-Graduação no Programa de Dinâmica dos Oceanos e da Terra, da UFF, e atua em pesquisas sobre ecologia de sedimentos marinhos. O livro Ecologia Marinha teve apoio da FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro).

No próximo dia 6 de maio, os organizadores promoverão um encontro virtual de lançamento para falar sobre e dialogar com os autores. Será às 17h30, pelo Youtube da Geração Oceano X.

Sobre a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável

Em 2017, em sua 1ª Conferência sobre Oceanos, a ONU declarou que a Década do Oceano seria realizada entre 2021 e 2030. Esse será um período de construção de uma estrutura unificadora para o sistema da ONU, que buscará possibilitar com que os países atinjam todas as prioridades da Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável, relacionadas aos oceanos. As metas englobam desde a prevenção e a redução significativa da poluição marinha até 2025, especialmente a advinda de atividades terrestres, ao aumento dos benefícios econômicos para os pequenos Estados insulares em desenvolvimento e os países menos desenvolvidos, até 2030. A agenda prevê, ainda, a minimização e o enfrentamento dos impactos da acidificação dos oceanos, bem como o aumento do conhecimento científico, desenvolvimento de capacidades de pesquisa e transferência de tecnologia marinha, tendo em conta os critérios e orientações sobre Transferência de Tecnologia Marinha da Comissão Oceanográfica Intergovernamental.

O Relatório Mundial sobre a Ciência Oceânica, lançado pelo Comitê Intergovernamental Oceanográfico da UNESCO em 2017, avaliou a situação e as tendências das capacidades em ciências oceânicas ao redor do mundo com os objetivos de gerar conhecimento, de auxiliar a proteção da saúde dos oceanos e de empoderar a sociedade para apoiar a gestão sustentável dos oceanos, no marco da Agenda 2030. Segundo as informações presentes no Relatório, embora o estudo dos oceanos tenha se tornado uma tendência, em face de vários fatores como produção de oxigênio, fornecimento de recursos alimentares e energéticos, os recursos aplicados na pesquisa sobre a ciência oceânica equivalem a apenas de 0,04 a 4% dos valores aplicados em pesquisa no mundo todo.

O representante científico do Brasil na Comissão Oceanográfica Intergovernamental (COI) da UNESCO é o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). Desde 2019, o Ministério vem promovendo uma série de atividades para o alcance dos resultados da Década, dando oportunidade a maior engajamento e parcerias entre cientistas, terceiro setor e sociedade civil.

Fonte: CNPq

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