Com o apoio dos Programas de Pós-Graduação e subsídios do Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (PROEXT-PG) da Capes, a Universidade Federal do Paraná tem ampliado sua atuação junto à comunidade ao desenvolver projetos de extensão que unem ensino, pesquisa e atendimento em saúde. As iniciativas permitem que estudantes aprofundem sua formação profissional, ao mesmo tempo em que levam serviços especializados à população.
As ações são desenvolvidas em diferentes contextos e estão voltadas a públicos diversos, que exemplificam a atuação da universidade na promoção da saúde e atendimento à comunidade. Confira a seguir alguns desses projetos:
Boca Aberta: saúde bucal como ponto de partida para a atenção hospitalar
O Boca Aberta, coordenado pelo professor Antonio Adilson Soares de Lima, do Programa de Pós-Graduação em Odontologia, desenvolve ações voltadas à saúde bucal de pacientes hospitalizados em situação de vulnerabilidade, como pessoas com dependência química, alcoolismo ou transtornos mentais.
Vinculado ao Departamento de Estomatologia da UFPR, o projeto também proporciona aos estudantes do curso de Odontologia a vivência de atendimentos de alta complexidade, em articulação com equipes multidisciplinares, ampliando o conhecimento prático e a experiência na área da odontologia hospitalar.

Reconhecida pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO) apenas em 2015, a odontologia hospitalar é uma especialidade recente e pouco difundida no mercado de trabalho. Isso demanda esforços de consolidação na formação acadêmica e, nesse contexto, a UFPR se destaca como instituição precursora ao integrar a odontologia hospitalar à formação acadêmica por meio de projetos desenvolvidos no âmbito da pós-graduação, como observa o coordenador do projeto:
“Vários estudantes que passaram pelo nosso projeto depois de formados ingressaram com maior facilidade nas residências que são ofertadas. Isto reforça o impacto do projeto Boca Aberta na formação discente.”
Atualmente, o projeto conta com quatro instituições parceiras: o Hospital San Julian (Piraquara), o Instituto de Pesquisa e Tratamento do Alcoolismo (Campo Largo), a Casa de Recuperação Nova Vida (Curitiba) e a organização Amigos do HC, também na capital.
De acordo com Antonio, as instituições permitem o contato com a população-alvo e garantem o espaço físico necessário para a realização dos trabalhos. Nessas, estudantes têm contato com pacientes com diferentes demandas odontológicas, o que exige abordagens individualizadas e especializadas para cada caso.
“Nos hospitais ou clínicas, os pacientes são examinados e os problemas bucais mais emergenciais são tratados. Ainda, uma abordagem preventiva é realizada a fim de prevenir o câncer de boca, pois a maioria desses pacientes são tabagistas e alcoolistas – principais fatores de risco para a doença.”

O professor também ressalta que a interação entre alunos de graduação e pós-graduação enriquece a troca de conhecimentos do projeto. Nos atendimentos clínicos de menor complexidade, os pós-graduandos atuam na supervisão dos estudantes de graduação, enquanto, nos casos mais complexos, assumem a execução com acompanhamento dos demais alunos. Antonio destaca ainda que a experiência no projeto vai além da prática clínica:
“O estudante de pós-graduação pode trabalhar a sua prática em docência. Muitos trabalhos científicos na forma de dissertações e teses são frutos do trabalho feito pelos estudantes da pós-graduação durante as ações do nosso projeto de extensão.”
O projeto também desenvolve ações de conscientização, como palestras abertas ao público sobre prevenção de doenças bucais e outros temas relacionados à saúde. Essas iniciativas se desdobram na produção de materiais educativos, como o e-book “O papel da Odontologia na prevenção e no manejo de pacientes com alcoolismo”, lançado em 2025, foi produzido por alunos e professores do projeto.
Ao longo de 2025, o Boca Aberta realizou 1.031 atendimentos odontológicos, publicou um e-book e um artigo científico sobre as ações do projeto, promoveu dois ciclos de palestras, participou da Campanha Novembro Azul & Vermelho e esteve presente no “Circuito de Saúde nos Bairros” iniciativa da Prefeitura de Curitiba e do Amigos do HC.
O projeto está com processo seletivo aberto: estudantes de graduação que tenham concluído ao menos o primeiro período do curso podem se inscrever até dia 31 de janeiro. Para acompanhar as atividades e novidades do projeto, basta seguir o perfil oficial no Instagram.

Clube da Dermatite: ações educativas voltadas a pacientes com dermatite e familiares
Vinculado ao Departamento de Pediatria, o projeto de extensão Clube da Dermatite integra as ações da Sociedade Paranaense de Pediatria (SPP) voltadas à orientação de pacientes diagnosticados com dermatite atópica atendidos nos ambulatórios do Serviço de Dermatopediatria do Hospital de Clínicas da UFPR.
Coordenado pela professora Vânia Oliveira de Carvalho, que atua em quatro Programas de Pós-graduação na UFPR (Saúde da Criança e do Adolescente, Dermatologia Pediátrica, Dermatologia e Pediatria), o projeto realiza mensalmente atividades educativas destinadas a crianças, adolescentes e seus responsáveis, na sede da SPP, em Curitiba (Rua Desembargador Vieira Cavalcanti, 550). Por meio de rodas de conversa, atividades lúdicas e apresentações teatrais, as ações promovem escuta, informação e apoio às famílias, fortalecendo o acompanhamento da dermatite atópica no cotidiano. De acordo com a professora,
“Nas reuniões as crianças aprendem de forma lúdica sobre a doença e, ao mesmo tempo, os pais são informados sobre como controlá-la, como agir para enfrentar os problemas que ela impõe no dia a dia. Esta ação melhora o conhecimento sobre a doença e fornece subsídios para o enfrentamento dos desafios impostos.”
A relevância das ações é respaldada por evidências científicas: em abril de 2021, foi publicado na Asia Pacific Allergy o estudo “Educational intervention and atopic dermatitis: impact on quality of life and treatment” (Intervenção educacional e dermatite atópica: impacto na qualidade de vida e tratamento). A pesquisa demonstrou que a participação nas atividades contribuiu para a melhora da qualidade de vida das famílias e para a redução da gravidade da doença, indicando que a intervenção precoce tem impacto significativo tanto na diminuição da severidade da dermatite atópica quanto no bem-estar dos pacientes e seus cuidadores.

As atividades do Clube da Dermatite buscam ampliar o conhecimento sobre a doença e suas formas de manejo e promover a troca de experiências entre pais, cuidadores, crianças e a equipe de saúde. Realizadas mensalmente de forma gratuita, as reuniões incentivam crianças e adolescentes a participarem ativamente do acompanhamento da própria condição, fortalecendo o cuidado cotidiano com a pele.
Além das atividades educativas, em dezembro de 2025, o Clube da Dermatite proporcionou às famílias uma sessão de cinema, criando um momento de leveza, diversão e pertencimento.
As famílias interessadas em participar dos encontros podem realizar o agendamento pelo site da Sociedade Paranaense de Pediatria ou pelo telefone (41) 3223-2570. As novidades e atividades do projeto podem ser acompanhadas pelas redes sociais do Clube da Dermatite.
Autocuidado e qualidade de vida: ações voltadas à atenção integral à saúde
Com foco na promoção de bem-estar e na atenção à saúde ao longo da vida, o projeto de extensão “Autocuidado e Qualidade de Vida”, desenvolvido no âmbito do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular, realiza ações educativas voltadas à população. A proposta incentiva a conscientização e adoção de hábitos saudáveis, como higiene bucal, alimentação e atenção contínua à saúde física e mental. Em cada reunião um tema diferente é trabalhado com dinâmicas, para despertar a curiosidade e engajar os participantes.
Sob a coordenação da professora Elaine Benelli, vinculada aos Programas de Pós-graduação em Odontopediatria e Profbio – Ensino de Biologia em Rede Nacional, o projeto evidencia a contribuição dos programas para a formação acadêmica qualificada e aplicação do conhecimento científico em benefício da sociedade.
A professora destaca que o projeto avança ao mostrar como cada escolha do indivíduo afeta seu metabolismo, tornando visível o impacto das decisões sobre a saúde mesmo quando não percebemos os efeitos bioquímicos. Elaine afirma que “uma escolha do indivíduo vai sempre impactar na sua bioquímica (metabolismo) seja para manter o seu equilíbrio ou não. É isso que procuramos mostrar sempre em nossas diferentes atividades. Você não enxerga o seu metabolismo, mas cada escolha tem um efeito sobre ele.”
O projeto tem presença ativa em diversas redes sociais, como Facebook, Instagram e no Youtube, com o Canal Consciência, que reúne vídeos informativos sobre o corpo humano e a biologia no geral. Ao transformar conteúdos técnicos (como a influência dos hábitos alimentares na saúde, a importância do cuidado com a saúde mental e física e dicas de higiene para a prevenção de doenças) em linguagem acessível, as ações ampliam o acesso à informação e fortalecem a compreensão do autocuidado como um conjunto de práticas presentes no dia a dia, como destaca a coordenadora:

“As redes sociais auxiliam na divulgação e no armazenamento de nossos materiais. Nós nos dedicamos à produção do conteúdo para que pais, professores e público em geral possam encontrar informações corretas sobre os assuntos tratados.”
Além do impacto direto na comunidade, o projeto também contribui para a formação profissional dos estudantes envolvidos. A participação dos voluntários favorece o desenvolvimento de competências essenciais para a atuação em saúde, como a comunicação sensível, a empatia, o trabalho interdisciplinar e responsabilidade social, fortalecendo a formação orientada para o cuidado com as pessoas e com a comunidade.
Para entender mais sobre o corpo humano e a biologia, acompanhe o projeto nas redes sociais.
Transferindo o saber: ciência e informação ao alcance de todos
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) são responsáveis por cerca de 74% das mortes no mundo e 75% no Brasil. Com base nesse cenário, o projeto de extensão Transferindo o Saber, do Departamento de Análises Clínicas, atua desde 2023 com foco na conscientização sobre DCNTs, com ênfase no diabetes, hipertensão, obesidade e câncer, condições que demandam acompanhamento contínuo e mudanças no estilo de vida para a promoção da saúde e a prevenção de complicações
Coordenado pela professora Fabiane Gomes de Moraes Rego, integrante do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas, o projeto conta com a participação de estudantes dos cursos de Farmácia, Nutrição, Biomedicina e Medicina da Universidade Federal do Paraná. A proposta é promover a educação em saúde por meio da disseminação de informações claras, baseadas em evidências científicas, voltadas tanto à prevenção quanto ao manejo das doenças.

As ações incluem palestras educativas, orientações à população e participação em eventos de saúde, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre fatores de risco, diagnóstico precoce, adesão ao tratamento e importância do acompanhamento médico.
O projeto também realizou ação em escolas, envolvendo estudantes e a comunidade, e, segundo Fabiane, “do ponto de vista da comunidade, a conscientização dos riscos de glicemia alta e escolha alimentar foi muito relevante”, ressaltando ainda o engajamento dos discentes e o impacto na responsabilidade deles como futuros profissionais de saúde.
Texto de Laura Chimka – bolsista de graduação PROEXT-PG