Unifor se destaca em publicação internacional sobre inovação que integra arte, ciência e tecnologia

A Universidade integra seleto grupo de instituições brasileiras no livro do programa S+T+ARTS, iniciativa da Comissão Europeia

Com um rico ecossistema que une naturalmente arte e inovação, a Universidade de Fortaleza (Unifor), instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz, integra o seleto grupo de instituições brasileiras destacadas no livro Science+Technology+Arts: Lessons Learned from a Decade of European Transdisciplinary Innovation, edição 2026.

A publicação nasce de uma iniciativa da Comissão Europeia que promove a colaboração entre arte, ciência e tecnologia, partindo da premissa de que, quando essas três áreas se encontram, impulsionam o surgimento de soluções mais humanas, éticas e inovadoras. Nesta edição, o #OrgulhoUnifor evidencia o protagonismo da Universidade de Fortaleza, que se posiciona na vanguarda nacional com uma participação relevante nesse cenário.

Hygor P. M. Melo, pesquisador do Núcleo de Ciência de Dados e Inteligência Artificial (NCDIA) e docente da Unifor, explica que tudo começou a partir de um edital anual voltado à seleção de empresas, laboratórios e centros de pesquisa, responsáveis por acolher artistas em residências dentro do ecossistema do projeto. Inicialmente restrita à União Europeia, a iniciativa passou a expandir suas fronteiras mais recentemente.

“No último ano, quem ganhou foi um consórcio com o tema S+T+ARTS Buen-TEK, com a ideia de trabalhar com a América do Sul. Esse consórcio reúne cerca de dez centros, entre laboratórios e estúdios de arte. Cada parceiro europeu buscava uma instituição na América do Sul, e foi nesse contexto que a Unifor se tornou parceira da Sony CSL Itália”, explica.

Mapa divulgado no livro Science+Technology+Arts: Lessons Learned from a Decade of European Transdisciplinary Innovation, que mostra as instituições envolvidas no Brasil. Foto: divulgação.

O resultado dessa parceria foi a recepção de dois artistas, o equatoriano Anthony Tandazo e a brasileira Mari Nagem, que desenvolveram residências artísticas na Universidade. A seleção ocorreu por meio de um edital aberto para a América do Sul, com participação da Vice-Reitoria de Pesquisa (VRP) e da Vice-Reitoria de Extensão e Comunidade Universitária (Virex), em colaboração com o programa S+T+ARTS.

Os artistas exemplificam como a convergência entre arte, ciência e tecnologia pode gerar práticas inovadoras e profundamente conectadas ao contexto contemporâneo. Em seus processos criativos, o domínio de ferramentas digitais e o uso de dados se entrelaçam a investigações sensíveis sobre território, cultura e meio ambiente. Tandazo transformou dados urbanos em experiências audiovisuais interativas, aproximando o público dos ritmos e dinâmicas da cidade, enquanto Nagem articulou inteligência artificial, mapeamento e saberes comunitários para refletir sobre o direito à sombra, justiça climática e qualidade de vida nas cidades. Essas práticas interdisciplinares ajudam a ampliar o debate sobre a cidade contemporânea, conectando inovação tecnológica e reflexão sobre questões urbanas.

Para Lara Furtado, professora do Mestrado Profissional em Ciências da Cidade, essa discussão sobre sombreamento ganha centralidade em um contexto de mudanças climáticas e aumento das temperaturas nas cidades. “As árvores cumprem um papel fundamental na adaptação climática urbana, porque ajudam a reduzir a sensação térmica, qualificam os espaços públicos e tornam a cidade mais habitável, especialmente para as populações mais expostas ao calor”, afirma.

Protagonismo

Durante esse período, os artistas residentes trabalharam com estudantes de graduação, mestrado e doutorado dos cursos de Arquitetura e Urbanismo e da pós-graduação em Informática Aplicada, fortalecendo o intercâmbio entre diferentes áreas do conhecimento. A experiência também ultrapassou os limites do campus, com a apresentação dos resultados em eventos internacionais, na Holanda e na Itália.

Anthony Tandazo e Mari Nagem apresentaram sobre a experiência da residência artística na Unifor em Veneza, na Itália. Fotos: Reyna Agostinelli 

Como desdobramento desse ciclo, foi produzido o livro que reúne os principais resultados e aprendizados da iniciativa ao longo da última década. Nele, a Universidade de Fortaleza aparece ao lado de instituições brasileiras como o Instituto de Oceanografia da Universidade de São Paulo, a Pivô, associação cultural sem fins lucrativos; e o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

Foto: Ares Soares

A participação da Unifor consolidou sua atuação em redes internacionais de inovação e reforçou o compromisso com práticas transdisciplinares.“Essa foi a primeira iniciativa do laboratório nesse tipo de residência artística, mas não será a última. Já há esforços para estender a colaboração na produção científica, tanto com o laboratório da Sony quanto com os artistas. A colaboração não se encerra com a residência, pois tende a continuar e a expandir a rede de parcerias”, destaca Hygor P. M. Melo.

Ao refletir sobre o impacto da iniciativa, o pesquisador também apontou a importância de uma formação ampla e interdisciplinar, especialmente para aqueles que desejam atuar no campo da inovação.

“Como conselho para estudantes interessados em inovação: é importante ter interesse por tudo. O conhecimento está em todas as áreas, e ideias inovadoras surgem quando há contato com diferentes campos. Não basta dominar apenas uma área; é necessário ter uma visão ampla do mundo, conhecer arte, literatura, cinema, outras culturas e línguas”.

Segundo Vasco Furtado, coordenador do NCDIA, o projeto também fortalece o papel institucional da Unifor como agente produtor de conhecimento aplicado a temas de interesse público.

Foto: Ares Soares

“Essa iniciativa solidifica a atuação da Universidade em pesquisas conectadas às demandas da sociedade e do poder público, consolidando parcerias e gerando dados capazes de apoiar processos de tomada de decisão”, Vasco Furtado, coordenador do NCDIA.

Fonte: UNIFOR