Durante quatro dias, a Universidade Católica de Pernambuco promove um seminário nacional inédito sobre Direitos da Natureza, reunindo pesquisadores, estudantes, gestores públicos, lideranças indígenas e comunitárias, representantes religiosos, movimentos sociais e organizações da sociedade civil de todo o Brasil. A XIII Semana Socioambiental e o I Seminário Nacional de Educação Popular, Educação Ambiental, Direitos Humanos e Direitos da Natureza acontecem de hoje (15/09) a sexta-feira (18/09) com debates, mesas temáticas, oficinas vivenciais e ações de extensão comunitária,discutindo temas urgentes como justiça climática, desastres socioambientais, gestão das águas, cidades resilientes, saúde mental diante da crise climática, democracia, economia solidária, espiritualidade ecológica e defesa dos territórios.
Realizados em parceria com a Província dos Jesuítas do Brasil, a Articulação Brasileira pelos Direitos da Natureza e dezenas de organizações nacionais, os eventos colocam em discussão o reconhecimento da Natureza como sujeito de direitos e suas implicações para políticas públicas e proteção territorial, como defendeu, já na abertura da programação, o Professor Luiz Filipe Lacerda, secretário executivo do Observatório Nacional de Justiça Socioambiental (OLMA), PHD em Justiça Socioambiental, Desastres e Emergências Climáticas, Doutor em Ciências Sociais e Coordenador da Cátedra Laudato Si da Unicap: “A gente que vem dessa educação jesuíta, amparado na ecologia integral e trabalhando com os povos dos territórios entende que a Natureza é um sujeito vivo e, por isso, tem valor intrínseco, ela não está a serviço do ser humano. Então, ela tem que ser sujeito de direito. E é por isso que nasce um movimento que a gente chama de Novo Constitucionalismo da América Latina, que é impulsionado pelo povos originários, povos indígenas, quilombolas, tradicionais no sentido de fazer uma rotação epistemológica da nossa compreensão a respeito do que é o lugar que a Natureza ocupa na nossa sociedade, a fim de que ela se torne um sujeito e não um objeto e assim seja muito mais defendida da exploração dos recursos naturais”.
Presente à mesa de abertura, o Reitor em exercício Aragon Bergonci destacou a importância de sediar as discussões: “A Universidade enquanto um ambiente de discussão e de fomento do conhecimento propicia nesse momento um espaço para, além dos alunos convidados de várias áreas do país, todos envolvidos nessa temática do meio ambiente e também dos direitos ambientais e direitos humanos que são correlatos a esse tema. Que seja uma semana muito frutífera, de bons trabalhos e que tragam frutos para a sociedade”.
As primeiras discussões avaliaram o cenário dos Direitos da Natureza no Brasil, com as participações de Luiz Felipe Lacerda; de Iran Xukuru, Doutor em Notório Saber pela UPE, poeta, escritor e contador de histórias de Entroncarias; da advogada e fundadora da ONG MAPAS, Vanessa Hasson; e da jornalista Raissa Ebrahim, da Marco Zero.
Liderança Xucuru, Iran avaliou a representação dos povos originários neste encontro: “A nossa participação aqui tem uma importância de destaque, não pelo conhecimento ancestral necessariamente que a gente traz, mas pela condição de alerta à sociedade, no sentido da fragilidade que hoje a forma de vida padronizada traz como ameaça à vida do planeta Terra. A gente está aqui para trazer uma experiência baseada muito nessa relação com a natureza, que é espiritual e que traz na sua essência uma ética de moral, zelo e de decência com a própria natureza e com o seu sagrado”.