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ARTIGO – A educação e o futuro do trabalho

Por: Mozart Neves Ramos*

Jamais, na história da humanidade, a educação foi tão importante como agora. As transformações que se anunciam (e já começaram) no mundo do trabalho são dramáticas e podem comprometer o futuro de muitos jovens, especialmente dos que vivem em países cuja educação é de baixa qualidade, como é o caso do Brasil. Por isso, não há tempo a perder. Um tsunami, e não uma onda, se aproxima rapidamente para mudar de forma radical o emprego e a renda do trabalhador. Refiro-me à quarta revolução industrial, que terá como locomotiva a automação.

Um estudo sobre o futuro do trabalho da consultoria global McKinsey & Company revela que seis em cada 10 trabalhos podem ter mais de 30% de suas atividades automatizadas. No cenário mais modesto, isso poderá impactar, até 2030, a atividade laboral de 400 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, a estimativa é de que o efeito da automação atinja cerca de 16 milhões de brasileiros, especialmente os jovens que não tiveram acesso a uma educação de qualidade.

Desde 2010, o número de robôs industriais cresce a uma taxa de 9% ao ano. No Brasil, cerca de 12 mil robôs industriais serão comercializados entre 2015 e 2020. O que está em jogo, quando se trata de adotar ou não um processo mais agressivo de automação nas fábricas, é uma questão de equilíbrio entre custos e competitividade.

Esse novo cenário exigirá aumento de qualidades humanas, como a criatividade e o pensamento crítico. Por isso, a oferta de uma educação com significado, que seja capaz de desenvolver o potencial pleno das pessoas, se torna condição imperativa para o acesso aos postos de trabalho do futuro. Haverá a extinção de trabalhos que requerem pouca qualificação, e a criação — mas em número menor — de postos que demandem alta qualificação profissional. Essas novas funções, por sua vez, vão requerer do trabalhador do futuro — e o futuro é agora — habilidades matemáticas, analíticas e digitais.

Com um número menor de postos de trabalho, e a exigência, ao mesmo tempo, de uma alta qualificação profissional, a tendência é de forte queda nos salários e de um aumento da desigualdade. O motor dessa desigualdade, conforme estudo recente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), será a tecnologia digital. Embora um em cada três usuários da internet seja uma criança, há ainda no mundo 346 milhões de jovens sem acesso ao mundo digital.

A quarta revolução industrial será determinada por uma combinação de convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas, associadas ao desenvolvimento de habilidades humanas. Por isso, o papel de uma educação plena para a vida será determinante para o futuro promissor da nossa juventude.

Por seu lado, nesse mesmo cenário se coloca a oferta de uma educação de baixíssima qualidade para os nossos jovens. A título de exemplo, de cada 100 crianças que começam a receber a educação básica no Brasil, apenas 50 chegam ao fim do percurso, que equivale à conclusão do ensino médio. Mas, mesmo esses, chegam ao fim do ciclo com muitos déficits de aprendizagem. Dos concluintes, em cada 100 apenas sete aprenderam o que seria esperado em matemática — uma tragédia! O que me aflige, portanto, é que esses jovens não estão nem sequer preparados para enfrentar uma onda, quanto mais o tsunami que se avizinha no que diz respeito ao futuro do trabalho. O Brasil tem hoje 1 milhão de jovens de 15 a 17 anos que, além de estarem fora da escola, não desenvolvem nenhuma atividade laboral. São jovens que vivem na ociosidade, em elevado nível de vulnerabilidade social e econômica – um prato cheio para os traficantes de drogas.

O país precisa dar prioridade à educação. E o que significa isso? Significa, por exemplo, não descontinuar, por uma simples mudança de governo, as políticas públicas educacionais que estão dando certo. Significa não rifar o Ministério da Educação e as secretarias de Educação como moeda de troca no campo político. Significa atrair mais jovens talentosos para a carreira de professor, ou seja, valorizar a do magistério. Sem bons professores não haverá educação de qualidade, e sem ela não haverá futuro promissor nesse novo cenário do mundo do trabalho. Como diz Derek Bok, ex-presidente da

Universidade de Harvard: “Se você acha a educação cara, experimente a ignorância”. Não há mais tempo a perder: educação já!

*Diretor do Instituto Airton Senna. Foi Reitor da Universidade Federal de Pernambuco e Secretário de Educação de Pernambuco

Comunicação CRUB
(61) 3349-9010

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