Molécula de RNA circular pode servir como indicador para detecção precoce do autismo

Pesquisa da UFRGS identificou que ratos com características autistas apresentam maior presença da molécula ciRS-7 no tecido cerebral; nova etapa da pesquisa, com seres humanos, está prevista para este ano

29 de janeiro de 2026 às 14:21

Validação dos dados obtidos através de técnicas de bioinformática é realizada através de experimentos de bancada. Crédito: Pietro Scopel/JU

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento marcada por prejuízos na interação social, interesses restritos e atitudes repetitivas. Atualmente ele pode ser diagnosticado por critérios comportamentais avaliados por um neurologista, psiquiatra ou psicólogo.

Um dos caminhos para a criação de um exame diagnóstico em seres humanos é o estudo do transcriptoma, o conjunto de moléculas de RNA produzidas por um organismo. A partir dele, é possível identificar padrões de expressão gênica comuns nos pacientes com determinada condição, detectáveis no sangue de forma circulante.

Hoje em dia, já existem indícios de 400 segmentos de DNA muito relacionados ao desenvolvimento do TEA, e estes são estudados por pesquisadores da área da genética. Pequenos RNAs lineares (que produzem proteínas) e o RNA circular (que não produz proteínas), porém, também têm potencial para compor um kit para o diagnóstico e são encontrados apenas no transcriptoma.

Uma pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Neurociências da UFRGS mostra que esse padrão no autismo pode se manifestar no RNA circular dos indivíduos, uma estrutura resistente e estável que consegue se ligar a outras moléculas com facilidade. Mais especificamente, esses padrões podem ser observados na molécula chamada ciRS-7.

O precursor dessas análises foi o biomédico Guilherme Bauer Negrini, doutor em Neurociências pela UFRGS, que identificou que o ciRS-7 é mais abundante no tecido cerebral de ratos com características autistas. Ele desenvolveu um software para detectar qualquer RNA circular a partir do transcriptoma, permitindo conhecer, entre elas, a molécula do ciRS-7 – até então associada ao desenvolvimento de alguns tipos de câncer.

Confira a matéria completa no Jornal da Universidade.

Texto: Camila Fernandes de Souza
Edição: Mírian Barradas
Revisão: Antônio Falcetta

Fonte: UFRGS