Universidades apresentam os projetos das 33 redes de internacionalização

Evento em Brasília reúne representantes das 112 instituições de educação superior e pesquisa que participam do programa

Os representantes das 112 instituições de educação superior e pesquisa que participam da primeira edição do Programa CAPES Global.Edu apresentaram nos dias 8 e 9 de abril, em Brasília, os seus projetos para a internacionalização da pós-graduação stricto sensu brasileira. As atividades serão realizadas de 2026 a 2031 com investimentos em bolsas e recursos de custeio.

Ao todo, são 33 redes, envolvendo, cada uma delas, de quatro a seis instituições de todas as regiões do país. A CAPES concederá bolsas no Brasil e no exterior, além de apoio à participação e à organização de eventos científicos e missões de trabalho fora do país.

Inédito em relação à integração de universidades e o maior da história da agência em número de participantes, o programa tem o objetivo de promover a colaboração científica entre as integrantes dos projetos e as parceiras internacionais.

Na abertura do evento, que aconteceu na sede da CAPES, o secretário-executivo do Ministério da Educação, Rodolfo de Carvalho Cabral, ressaltou a relevância do programa para enfrentar as desigualdades e ampliar as oportunidades.

“É uma escolha política reconhecer que o desenvolvimento científico do país depende do fortalecimento das capacidades em locais onde elas historicamente são mais frágeis e compreender que a excelência e a inclusão não são opostas, mas dimensões que precisam caminhar juntas”, afirmou.

A presidente da CAPES, Denise Pires de Carvalho, reforçou que o programa contribuirá com o processo de expansão da pós-graduação brasileira para fora do eixo Rio de Janeiro e São Paulo.” Queremos que mais cursos de excelência possam existir nas demais regiões do país”, acentuou.

A dirigente destacou que a iniciativa foi uma mudança de paradigma na construção da proposta em colaboração com todas as regiões na busca de soluções sustentáveis para o desenvolvimento do país.

“Temos que sair de uma lógica extrativista, exploratória e predatória para uma lógica de produção de alta tecnologia para atender as demandas da sociedade nas áreas de saúde, transição energética, inteligência artificial, e abandonar o modelo de dependência tecnológica. Somente podemos fazer isso através da nossa pós-graduação”, destacou.

CAPES Global.edu foi construído com a participação de toda a comunidade acadêmica e parceiros institucionais. Está em linha com o Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG) 2025-2029 e busca integrar instituições com diferentes níveis de internacionalização da pós-graduação, além de incentivar a colaboração científica entre universidades brasileiras e parceiras internacionais. As áreas temáticas escolhidas pelas redes integram os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e políticas públicas de desenvolvimento do País tais como saúde, biotecnologia, sustentabilidade, inovação, inteligência artificial, clima, energia, políticas públicas, educação, segurança alimentar e biomas.

“Um dos grandes desafios do CAPES Global.edu  é a decisão por parte das redes de buscar a interação do entorno das universidades, incluindo a sociedade organizada, setores produtivos não acadêmicos e governos trazendo os benefícios da internacionalização para toda a comunidade”, explicou o diretor de Relações Internacionais da CAPES, Rui Oppermann. O CAPES Global.edu amplia o protagonismo do Sistema Nacional de Pós-Graduação no cenário internacional, expandindo seu alcance tanto em direção ao Norte como ao Sul global.

Imagem 3:Evento de apresentação dos projetos das redes do CAPES Global.Edu . Foto: Gabriela Eleotério/CAPES
Imagem 3:Evento de apresentação dos projetos das redes do CAPES Global.Edu . Foto: Gabriela Eleotério/CAPES

Para Oppermann, a viabilização do CAPES Global.edu é fruto do trabalho intenso da Diretoria de Relações Internacionais (DRI) da Fundação, que atuou como a principal articuladora na construção do programa. “Para além da formulação das diretrizes, a equipe técnica da DRI desempenhou um papel fundamental no suporte às redes, com orientação às instituições na estruturação de seus projetos para garantir que o modelo de cooperação inédito fosse, de fato, exequível. Esse apoio contínuo da diretoria foi o que permitiu que 112 instituições, de diferentes graus de internacionalização e regiões, conseguissem alinhar os seus interesses estratégicos para formar as 33 redes que agora iniciam esta jornada histórica de internacionalização”, salientou o diretor.

Presença do interior

A presença de instituições de educação superior do interior do país no CAPES Global.Edu foi destacada pelos participantes das redes. Para Ellany Nascimento, que coordena o projeto da Universidade do Estado do Rio Grande Norte (UERN), localizada em Mossoró, o programa será uma experiência importante na internacionalização da pós-graduação no interior.

“A formação de redes nacionais vai ajudar também na mobilidade nacional e a pensar na internacionalização com grandes instituições brasileiras”, disse.  A UERN integra, de forma associada, as redes coordenadas pela Universidade de Brasília (UnB), na área de sustentabilidade, e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na de saúde.

Imagem 4: Evento com coordenadores dos projetos das redes do CAPES Global.Edu . Foto: Gabriela Eleotério/CAPES
Imagem 4: Evento com coordenadores dos projetos das redes do CAPES Global.Edu . Foto: Gabriela Eleotério/CAPES

Ronaldo Oliveira, coordenador de rede pela Universidade Federal da Bahia, com participação das federais do Oeste da Bahia (UFOB), do Norte de Tocantins (UFNT) e da Grande Dourados-MS (UFGD), considera o CAPES Global.Edu uma ação inovadora no combate às desigualdades regionais. “É um feito inédito alcançar todas as regiões do país para um projeto de nação”.

Na avaliação do embaixador Laudemar Neto, Secretário de Promoção Comercial, Ciência, Tecnologia, Inovação e Cultura do Ministério das Relações Exteriores, também presente ao evento, a interiorização promove uma internacionalização mais equilibrada, inclusiva e estratégica para fortalecer o sistema nacional de pós-graduação e ampliar a inserção global. “O programa é a reafirmação de uma política de estado de educação como eixo estruturante do desenvolvimento nacional e da inserção internacional do Brasil.

Fonte: Redação ASCOM/CAPES