HC da UNICAMP ganha nova área de Medicina Nuclear e inaugura equipamento de alta precisão

Chamado de SPECT/CT-CZT , o aparelho já está em funcionamento; é o primeiro a ser instalado em um hospital público na América Latina

O Hospital de Clínicas da Unicamp ganha nesta sexta-feira (10) uma nova área de Medicina Nuclear e passa a contar com um equipamento que usa recursos da inteligência artificial para obtenção de imagens de corpo inteiro, em 3D, com alta qualidade e precisão. Chamado de SPECT/CT-CZT, o aparelho é o primeiro a ser instalado em um hospital público na América Latina e conta com a tecnologia baseada em detectores CZT (Cádmio-Zinco-Telúrio), considerada a maior revolução na medicina nuclear das últimas décadas. Toda a nova estrutura de atendimento já está à disposição da população.

O equipamento oferece uma imagem do corpo humano com altíssima precisão, já que não apenas vê o órgão, mas revela como ele está trabalhando em tempo real. A tecnologia do novo SPECT/CT assegura, ainda, a obtenção de imagens com uso de elementos radioisotópicos quatro vezes mais rápido que os equipamentos convencionais. Com isso, reduz o desconforto aos pacientes.

O reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner, participou, na quinta-feira (9), do descerramento da placa de inauguração da nova área feita pelo governo do estado, em Campinas. “A Unicamp tem um longo trabalho nessa área na Unicamp, coisa de 30 anos. De fato, temos um pioneirismo enquanto universidade e suas pesquisas, e como hospital universitário e sua área de assistência. Agora, com esse incremento, teremos ainda melhores condições para continuar trabalhando na fronteira do conhecimento”, disse o reitor.

O novo equipamento foi adquirido por R$ 8,6 milhões com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por meio do Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) CancerThera. Esse centro juntou toda uma cadeia de pesquisa para o desenvolvimento de fármacos e radiofármacos a serem utilizados no diagnóstico e no tratamento de câncer e tem sede no Hemocentro da Unicamp. O custo foi coberto também por meio de emendas parlamentares indicadas pelos deputados federais Adriana Ventura, Kim Kataguiri, Paulo Freire e pela ex-deputada Katia Sastre.

O secretário estadual de saúde, Eleuses Paiva, lembrou que o equipamento será fundamental para o melhor funcionamento da nova área da medicina nuclear da Unicamp. “A Universidade poderá se desenvolver não apenas no setor assistencial, mas também no de pesquisa. E isso é muito importante para o Brasil”, disse ele.

Medicina Nuclear

O investimento total para execução das adaptações na área de Medicina Nuclear foi de R$ 2,1 milhões, executados com recursos da Fapesp. Os investimentos da Fundação também contemplaram um pacote de atualização no valor de US$ 400 mil para o upgrade de outro equipamento da área, que é o PET/CT.

Segundo Bárbara Juarez Amorim, coordenadora da área de Medicina Nuclear do HC da Unicamp, os investimentos realizados na Medicina Nuclear nos últimos anos posicionam o serviço do hospital como um dos mais importantes do país, com tecnologias de última geração à disposição do SUS.

“O novo SPECT/CT-CZT representa o estado da arte em inovação, com capacidade para realizar diagnósticos precisos em câncer, incluindo a dosimetria interna para o planejamento terapêutico, além de proporcionar mais conforto para o paciente, sendo a maioria oncológicos, e a possibilidade de diminuição da dose de radiofármacos usados nesses tipos de exames”, detalha.

Coordenador do CancerThera, Cármino de Souza diz que a conclusão desse projeto de modernização se dá após quatro anos de planejamento e que a área foi estruturada para ser multi-institucional (Unicamp, HC, Hemocentro, Fapesp), pela relevância dos investimentos, da produção científica e para a assistência.

“A tecnologia SPECT/CT-CZT ampliará significativamente as possibilidades científicas, tecnológicas e educacionais, especialmente no âmbito do teranóstico (terapia e diagnóstico), além de proporcionar benefícios assistenciais substanciais para o HC”, esclarece Souza.

Evento

Na tarde de sexta-feira, o espaço foi oficialmente entregue no HC. O evento contou com a presença do reitor Paulo Cesar Montagner; do coordenador geral da Universidade, Fernando Antonio Santos Coelho; do secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Vahan Agopyan; do presidente da Fapesp, Marco Antonio Zago; além de diversas outras autoridades, incluindo parlamentares que possibilitaram o repasse da verba.

“Essa tecnologia vai ajudar as pessoas e gerar conhecimento de qualidade, algo que retorna à população. Essa nova área vai fazer uma enorme diferença não só para o desenvolvimento de pesquisas, mas também para a agilidade e precisão de diagnósticos. Todos sabem que, quanto mais precoce o diagnóstico, maiores as chances de cura”, celebrou Coelho. “Estou muito satisfeito porque, primeiro, houve um esforço conjunto para obter os recursos, inclusive, com apoio legislativo. Em segundo lugar, a estrutura foi instalada em um hospital público e universitário que é referência, onde o ensino tem papel fundamental. Assim, vamos unir atendimento à população, pesquisa, ensino e extensão”, acrescentou o secretário Vahan Agopyan.

Marco Antonio Zago apontou a nova área de medicina nuclear como um modelo de investimento. “Esse projeto é um exemplo de como a Fapesp emprego o dinheiro que recebe”, apontou ele.

Foto de capa:

A nova área da medicina nuclear passa a contar com um equipamento que usa recursos da inteligência artificial para obtenção de imagens de corpo inteiro, em 3D, com alta qualidade e precisão

Texto: Tote Nunes e Fabio Gallacci
Fotos: Antoninho Perri
Fonte: UNICAMP