PUC Goiás promove debate internacional sobre Chernobyl e segurança nuclear

O curso de Relações Internacionais da PUC Goiás, em parceria com a Assessoria de Relações Internacionais da universidade, promoveu nesta sexta-feira, 24, no Câmpus V, um debate sobre os impactos do desastre nuclear de Chernobyl e os desafios da segurança nuclear no mundo contemporâneo. O encontro reuniu diplomatas da Ucrânia, especialistas e convidados internacionais, com o objetivo de refletir sobre as consequências do maior acidente nuclear da história, ocorrido em 1986, e discutir a importância de fortalecer mecanismos globais de prevenção e controle de riscos.

A proposta também buscou aproximar os estudantes de experiências internacionais e de temas centrais da agenda global. “Nossa proposta é fazer com que os nossos estudantes tenham contato com representantes de alto nível de um país estrangeiro, neste caso a Ucrânia, que trouxeram essa proposta de evento para homenagear as vítimas do acidente ocorrido há quase 40 anos”, destacou o coordenador do curso de Relações Internacionais, Danilo Alarcon.

A programação contou com a participação de representantes da Embaixada da Ucrânia no Brasil, alguns presentes no Teatro do Câmpus V e outros por videoconferência. Entre os relatos, o encarregado de Negócios da Ucrânia no Brasil, Oleg Vlasenko, compartilhou sua experiência pessoal com o desastre. “O meu pai foi despertado e teve que organizar a evacuação da gente depois da explosão da usina nuclear de Chernobyl, que situa a 90 km da capital. Mas o problema foi que essa catástrofe é o resultado dos experimentos da União Soviética, do governo soviético, e durante os primeiros dias o governo soviético não queria reconhecer o tamanho dessa catástrofe”, afirmou.

Ele também ressaltou a importância de manter viva a memória do ocorrido e de ampliar a conscientização, especialmente entre os jovens. “Nosso dever é trazer o entendimento ao povo brasileiro, aos estudantes, à nova geração sobre o perigo desse tipo de ameaças”, disse, ao lembrar ainda o acidente radiológico com césio-137 em Goiânia, ocorrido um ano após Chernobyl.

O debate também abordou o cenário atual da segurança nuclear no mundo. O professor do curso de Relações Internacionais, André Luis Cançado, explicou que, embora a energia nuclear seja utilizada majoritariamente para fins pacíficos, é fundamental o cumprimento rigoroso de normas internacionais. “Os programas nucleares do mundo encontram sempre o uso civil, o uso pacífico da energia nuclear. A energia nuclear hoje ela é segura, limpa em certa medida, claro que segurança sempre quando feita com todos os protocolos rígidos. Hoje nós temos a Agência Internacional de Energia Atômica, a IEA, e o Tratado de Não Proliferação Nuclear, o TNP, que são dois instrumentos vinculantes, que um depende do outro. A IEA ela fiscaliza o cumprimento do Tratado de Não Proliferação Nuclear e o tratado em si cria as regras que disciplinam todos os programas nucleares ao redor do mundo”, explicou.

O evento integrou uma programação internacional que incluiu apresentações de diplomatas, pesquisadores e representantes de organizações, abordando desde a história do desastre até suas consequências a longo prazo e os riscos contemporâneos envolvendo usinas nucleares. A iniciativa reforça o compromisso da PUC Goiás com a formação crítica e internacionalizada de seus estudantes, promovendo reflexões sobre temas globais relevantes e incentivando o diálogo entre diferentes países e perspectivas.

Fonte: PUC GOIÁS