Segundo dados do Censo de Diversidade do setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), realizado pela Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom), o mercado de Tecnologia de Informação (TI) no País é composto majoritariamente por homens. Eles representam 63,1% do setor. Diante desse cenário, iniciativas como o Bytchê, da Escola Politécnica da PUCRS, florescem no ambiente acadêmico. Com o objetivo de criar um espaço de protagonismo para alunas da área de TI, o projeto busca preparar as estudantes para os desafios da carreira e ampliar sua inserção no mercado de trabalho, divulgando oportunidades e criando espaços para o desenvolvimento profissional, o networking e a troca de experiências.
Neste mês de julho, o Bytchê participou do 20º Women in Information Technology (WIT), que ocorreu durante o Congresso da Sociedade Brasileira de Computação, em Gramado. O evento, organizado pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC), visa discutir tópicos relacionados a questões de gênero e a TI no Brasil, abordando políticas de incentivo, estratégias de engajamento e de incentivo ao ingresso de mulheres nas carreiras relacionadas à Tecnologia. Ainda no WIT, também foi realizado o 16º Fórum Meninas Digitais, promovido pelo programa Meninas Digitais, vinculado à SBC.
Durante o congresso, o Bytchê participou de atividades, como palestras e painéis, além de momentos de troca e aprendizado com projetos de todo o País. A líder do projeto, Amanda Wilmsen, participou do encontro nacional dos projetos parceiros do Meninas Digitais, ocasião em que apresentou a iniciativa da PUCRS. Como reconhecimento, o grupo recebeu um troféu.

“A experiência foi muito enriquecedora para o grupo. Além do networking com lideranças de iniciativas de todo o Brasil, conhecemos boas práticas, fortalecemos nossa rede de colaboração e voltamos com diversas ideias que já estamos incorporando às ações do Bytchê na PUCRS”, comenta Amanda.
No início deste ano, o Bytchê foi aceito como projeto parceiro do Meninas Digitais, representando um marco para o grupo, que passou a ampliar sua visibilidade e fortalecer sua atuação em uma rede nacional voltada à participação feminina nas áreas de TI.
Para a professora da Escola Politécnica Alessandra Dutra, responsável por supervisionar o projeto, esses espaços proporcionam às atuais alunas da Escola, a construção de redes de apoio, a identificação com referências femininas e a possibilidade de compartilhar experiências. Já para as futuras estudantes, significa encontrar uma Universidade mais diversa, inclusiva e preparada para acolhê-las.
Segundo ela, esse trabalho contribui para aproximar meninas da Tecnologia desde cedo, despertando o interesse pela área, incentivando sua permanência e apresentando caminhos concretos de formação e desenvolvimento profissional.
“Como professora, acredito que nosso papel também é inspirar pelo exemplo. Quando mostramos às meninas que existem mulheres ocupando diferentes posições na tecnologia, seja na pesquisa, na docência e na liderança de empresas, ajudamos a ampliar seus horizontes e a construir novas possibilidades. O Bytchê representa, portanto, não apenas uma iniciativa de incentivo à participação feminina, mas um movimento de transformação que ajuda a construir uma Computação mais diversa, plural e inovadora”, ressalta Alessandra.

Sobre o projeto Bytchê
O Bytchê iniciou sua trajetória em 2018, a partir de um movimento de alunas, que criaram no WhatsApp, um grupo para aproximar e conectar estudantes dos cursos de Sistemas de informação, Ciência da Computação, Engenharia de Software, Engenharia de Computação e Ciência de Dados e Inteligência Artificial. Em 2025, com o incentivo da professora Alessandra Dutra, o grupo foi estruturado como um projeto institucional da Universidade.
Para além de uma comunidade, o Bytchê visa impactar não apenas alunas da PUCRS, mas também meninas em situação de vulnerabilidade social interessadas em se formar na área de TI, estudantes do Ensino Fundamental e Médio com interesse no setor e mulheres em processo de transição de carreira. Por meio de palestras, rodas de conversa, mentorias, workshops, minicursos e oficinas, o projeto ainda atua na organização de eventos, em ações de divulgação e parcerias com empresas do setor tecnológico.
Nas plataformas digitais, cerca de 90 mil pessoas foram alcançadas por meio da divulgação de oportunidades de bolsas, estágios e empregos, além de eventos, cursos, visitas técnicas a empresas e conteúdos voltados ao desenvolvimento de carreira. Presencialmente, aproximadamente 3,2 mil pessoas participaram de ações promovidas pelo projeto em eventos como a Feira de Carreiras da PUCRS, o Conecta Ligas, a Recepção de Calouros e o STEAM Talk. A iniciativa também realiza atividades de integração entre as estudantes e mantém parcerias com instituições como o Instituto Eldorado e a TELUS Digital, fortalecendo a conexão das alunas com o ecossistema de tecnologia e ampliando suas oportunidades de formação e inserção profissional.