Ato foi realizado pelo CNPq, de forma híbrida; Conferência Nacional de Políticas para Mulheres será realizada de 29 de setembro a 1º de outubro de 2025
A conferência livre temática “Equidade de gênero nas instituições de educação superior e pesquisa”, que aconteceu no auditório do CNPq, em Brasília, dia 15 de agosto, teve como resultado a sugestão de três propostas e a eleição de delegadas que levarão essa pauta à 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres.
O evento, realizado pelo CNPq de forma híbrida, teve como objetivo reunir propostas que colaborassem para a construção de uma política pública mais justa, inclusiva e representativa para as mulheres e integra a programação da conferência nacional. Sob a coordenação do Ministério das Mulheres e do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), a Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres (5ª CNPM) será realizada de 29 de setembro a 1º de outubro de 2025, com o tema “Mais Democracia, Mais Igualdade, Mais Conquistas para Todas”, buscando ampliar a participação das diversas vozes de mulheres representadas por entidades, organizações e movimentos sociais.
Além da instituição de uma política para a promoção de um ambiente acadêmico e científico seguro e de proteção às denunciantes, fazem parte da pauta as proposições acerca de política de apoio à parentalidade e cuidados na educação, ciência tecnologia e inovação; e sobre política nacional de inclusão, permanência e ascensão de meninas e mulheres na educação, ciência, tecnologia e inovação, contemplando grupos sub-representados. “São três propostas que abrangem três dimensões importantes da nossa agenda de ciência e tecnologia”, observa Dalila Andrade Oliveira, diretora de Cooperação Institucional, Internacional e Inovação do CNPq.As delegadas titulares eleitas na conferência livre são a servidora do CNPq Maria Lúcia Braga, que integra a equipe do Programa Mulher e Ciência deste Conselho; a bolsista de Produtividade em Pesquisa e professora do Departamento de Física da Universidade Federal de Juiz de Fora Zélia Maria da Costa Ludwig; e a docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA) Zeila Sousa de Albuquerque.
Como suplentes, foram eleitas a pesquisadora vinculada ao mestrado em Estudos Comparados sobre as Américas, da Universidade de Brasília (PPGECsA/UnB) Bianca Cristina Bonassi Barros; a bolsista de Pós-Doutorado Júnior do CNPq (PDJ) e doutora em Educação Científica e Tecnológica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Gláucia de Sousa Moreno; e a bolsista de Produtividade em Pesquisa (PQ) e professora do Centro de Ciências Médicas da Universidade Federal Fluminense (UFF) Letícia de Oliveira.
Assista na íntegra:
O presidente do CNPq, Ricardo Galvão, participou da abertura da conferência livre reforçando que o CNPq, ao longo dos anos, vem trabalhando em questões afirmativas, em particular em relação à de gênero, para não só tentar reduzir as desigualdades, mas promover eventos que exaltem o trabalho feminino. Ele citou como exemplo Mulheres e Ciência, criado e lançado em 2024. “Premiar aquelas mulheres que se destacam tem um efeito importantíssimo. Serve de farol para a jovem, serve de exemplo de que pode ser feito”, observou, ressaltando que a discussão sobre a presença das mulheres nas ciências não é tão simples, nem é um problema que envolve apenas o Brasil.
“A questão das mulheres na ciência é complexa e afeta o mundo todo. Se vocês olharem as publicações na revista Nature, em toda a sua história, não passa de 8% a autoria de mulheres”, disse, referindo-se aos artigos presentes na publicação. O presidente do CNPq, da mesma forma, citou estudos que indicam que, no que se refere à participação das mulheres na ciência, o Brasil está em terceiro lugar.
“Nós temos alguns trabalhos na área de física aqui no Brasil, promovidos principalmente pela professora Débora Menezes [diretora de Análise de Resultados e Soluções Digitais do CNPq], que têm mostrado que, ao longo dos anos, nós temos melhorado um pouco a situação, não de forma satisfatória, não como nós gostaríamos de fazer”, salientou.
Para a presidente da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), Denise Pires de Carvalho, as diferenças que existem são injustas. “Apesar de sermos quase 50% das pesquisadoras do nosso país, e isso precisa ser festejado – primeiro lugar é Portugal, em segundo lugar é Argentina, em terceiro lugar o Brasil em percentual de pesquisadoras – embora sejamos quase 50% das pesquisadoras, estamos muito longe de sermos 50% na Academia Brasileira de Ciências, na Academia Nacional de Medicina, nas academias todas”, diz.
Para Carvalho, a situação se repete quando se investiga a presença de mulheres como presidentes de sociedades científicas, do ponto de vista histórico. “Nós avançamos, mas ainda há muitos desafios”, resume ela, citando que se deve fazer trabalho para atrair mais meninas para a área de Ciências Exatas e da Terra. “Você pode, não é? A mulher não nasce para uma área. Há uma cultura por trás disso. Essa cultura de que a mulher não pode necessariamente fazer o que ela quiser. E nós temos de romper esse teto de vidro. Romper com esse efeito tesoura e fazer com que as meninas e mulheres possam ser capazes de fazer o que elas quiserem, mas em igualdade de condições”, afirmou. Para Carvalho, o papel das políticas públicas no tocante ao problema é fundamental. “As políticas públicas têm que vir para impedir que uns tenham mais acesso do que outros”, salientou.
A conferência livre temática realizada no CNPq teve apoio do British Council Brasil e do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF).