A aluna do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da PUCRS, Nathália Saraiva de Albuquerque, teve sua tese de doutorado avaliada com nota máxima pela Universidade Católica de Valência San Vicente Mártir (UCV), na Espanha, recebendo a classificação Sobresaliente — nota máxima do sistema espanhol, equivalente a “excelente” —, distinção reservada a trabalhos de excelência acadêmica. Além disso, a tese recebeu láurea acadêmica e foi indicada para concorrer à premiação institucional da universidade espanhola, reconhecimento destinado a pesquisas de destacado mérito científico.
Intitulada “Reserva cognitiva em idosos e sua relação com o contato com animais de estimação”, a tese foi produzida em regime de cotutela internacional entre as duas universidades.
Médica veterinária de formação, Nathália contou com a orientação da professora Tatiana Quarti Irigaray, coordenadora do grupo Avaliação, Reabilitação e Interação Humano-Animal (ARIHA) da PUCRS, e da professora Carmen Moret-Tatay, coordenadora do Mind, Emotion and Behavioural Research Laboratory (MEB Lab) da Universidade Católica de Valência.
A trajetória da doutoranda incluiu um período de estágio sanduíche na Espanha, realizado no âmbito do Programa Institucional de Internacionalização CAPES-PrInt. Durante sua permanência na UCV, Nathália participou de atividades de pesquisa, formação em escrita científica, ética e ciência aberta, além de desenvolver parte dos estudos que compõem a tese e apresentar trabalhos em eventos científicos internacionais.
A pesquisa investigou como a convivência com animais de estimação afeta a saúde cognitiva, funcional e emocional de pessoas idosas. Os resultados demonstraram que essa convivência não exerce um efeito direto sobre a reserva cognitiva. No entanto, revelou-se um importante mecanismo indireto de proteção: a presença de animais esteve associada a menores níveis de sintomas depressivos, maior bem-estar psicológico e melhor funcionalidade, fatores que, por sua vez, contribuíram para maiores níveis de reserva cognitiva. Além disso, entre os idosos que convivem com animais, observou-se uma relação mais forte entre reserva cognitiva e proteção contra sintomas depressivos.
Segundo a orientadora da pesquisa, professora Tatiana Quarti Irigaray, um dos principais avanços teóricos do estudo foi demonstrar que os animais podem atuar como mediadores no processo de manutenção da reserva cognitiva durante o envelhecimento.
“O principal achado da tese foi compreender que os animais de estimação não influenciam diretamente a reserva cognitiva. O que observamos é que eles atuam como mediadores desse processo, favorecendo a funcionalidade, o bem-estar emocional e a participação nas atividades do cotidiano. Esses fatores, por sua vez, exercem um efeito positivo sobre a reserva cognitiva”, explica. “Em outras palavras, os animais contribuem para um envelhecimento mais saudável ao promover recursos que ajudam as pessoas idosas a manter autonomia, qualidade de vida e funcionamento cognitivo ao longo do tempo”.
Para a orientadora, o reconhecimento recebido pela tese reflete não apenas a relevância científica do tema, mas também o empenho da doutoranda ao longo de todo o processo de formação:
“Este resultado é fruto de muitos anos de dedicação, comprometimento e excelência acadêmica. Nathália desenvolveu um trabalho inovador, metodologicamente rigoroso e com importante potencial de impacto social. A láurea e a indicação ao prêmio internacional representam um reconhecimento merecido da qualidade da pesquisa e do esforço investido ao longo de sua trajetória”.
Segundo Nathália, “é importante destacar que a posse de animais de estimação não deve ser recomendada como uma intervenção terapêutica. Ter um animal envolve responsabilidades e desafios que precisam ser considerados. No entanto, quando essa relação ocorre de forma positiva e responsável, ela pode trazer benefícios importantes para a saúde física e psicológica dos idosos”.
A pesquisa amplia a compreensão sobre o envelhecimento saudável ao demonstrar que os benefícios da convivência com animais não são diretos, mas mediados por fatores como bem-estar emocional, funcionalidade e proteção contra sintomas depressivos – reforçando a importância de abordagens que integrem aspectos cognitivos, emocionais e relacionais na promoção da saúde das pessoas idosas.