A Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) sediou, na última terça-feira (26), o GT Itinerante Gênero em Disputa. O evento teve como objetivo construir coletivamente um espaço de reflexão, escuta e diálogo sobre as múltiplas formas de vivenciar e pensar gênero na sociedade contemporânea.
A mesa de abertura contou com a presença da vice-reitora da UEFS, Rita Brêda, do coordenador do Programa de Pós-Graduação em História (PPGH), da coordenadora da Especialização em História da Bahia, Andréa Barbosa, da coordenadora do Grupo de Estudo e Pesquisa em Gênero e Sexualidades da UEFS, Maria Aparecida Sanches, e da representante da Liga Brasileira de Lésbicas e Mulheres Bissexuais, Bianca Alencar.
“O tema da diversidade e sexualidade é um debate urgente e necessário, que precisa ultrapassar os limites da academia e alcançar toda a sociedade. A universidade tem o papel de promover espaços permanentes de formação, escuta sensível e acolhimento. Estamos construindo, juntas e juntos, uma sociedade mais plural, inclusiva e humana — e esse processo começa com a coragem de debater o presente”, afirmou a vice-reitora Rita Brêda.
Um dos destaques da programação do evento foi a mesa “Gênero em Disputa: Identitarismos e Perspectivas Historiográficas”, ministrada pelos professores Leandro Colling (Ufba) e Kleber Simões (Uneb).
Leandro Colling apresentou hipóteses sobre o avanço de discursos críticos às identidades, com foco no identitarismo. Segundo o pesquisador, intelectuais progressistas têm retomado conceitos como narcisismo para repatologizar identidades LGBT, em um movimento distinto tanto da crítica conservadora quanto dos estudos queer e decoloniais.
“Minha hipótese é que estamos diante de uma disputa epistemológica provocada por novos saberes, que questionam o lugar de privilégio do intelectual tradicional. A emergência da extrema direita e seus discursos de ódio geraram um processo de subjetivação antiidentitário, que precisa ser enfrentado com pensamento crítico e plural”, analisou Colling.
O professor Kleber Simões defendeu a ocupação dos espaços teóricos da historiografia por perspectivas de gênero, raça e sexualidade. “Atuar na formação docente e na produção de novos historiadores é investir nas disputas de poder que moldam o saber histórico. Não basta desenvolver nossos estudos nos campos identitários. Precisamos disputar o campo da teoria, questionar o estatuto do sujeito histórico e inaugurar novos tempos historiográficos”, ressaltou.
O evento foi realizado em parceria com o Departamento de Ciências Humanas e Filosofia (DCHF), o Programa de Pós-Graduação em História (PPGH), os Grupos de Estudos, Pesquisa e Extensão em Gênero e Sexualidade (Gepegs) e Nina Simone, a Especialização em História da Bahia, a Pró-Reitoria de Extensão (Proex) da UEFS e contou com apoio da Uneb.